
| Certa vez, Maya sonhou com um belo elefante branco. Sete sábios interpretaram o sonho como o prenúncio do nascimento de um filho prodigioso: ele seria um imperador universal (sânsc. chakravartin) se vivesse no palácio de seu pai, ou um asceta (sânsc. bhikshu) se renunciasse ao trono. Shuddhodhana começou a se preocupar; ele queria um grande imperador para sucedê-lo e não um asceta. Naquela época não era estranho que jovens, atormentados pela perversão que os cercava, cessassem as suas atividades, se despedissem da família e dos amigos e abandonassem a vida mundana. Iam viver nos bosques, possuindo apenas uma tigela de madeira com a qual, de tempos em tempos, mendigavam um pouco de comida. Pensavam que o auto-sacrifício e a severa disciplina corporal lhes proporcionaria um momento de sublime percepção, durante o qual, subitamente, lhes seria revelado o segredo do Universo. |
1No fim de uma gestação de 10 meses, Maya seguiu a tradição indiana e viajou para a casa de seus pais, a fim de ter o seu filho lá. Os pais dela moravam em Kapilavastu, capital de Shakya. O filho de Maya nasceu perto daquela cidade, nos jardins de Lumbini, no 8º dia do 4º mês lunar de 563 a.C. Segundo as histórias tradicionais, o menino deu sete passos na direção de cada ponto cardeal e floresdesabrocharam nos locais pisados. Algumas tradições dizem que ele apontou para o céu com a mão direita e para a terra com a mão esquerda, dizendo:"Entre o céu e a terra, sou o venerável!" Segundo outras tradições, ele teria dito: "Sou o líder do mundo, sou o guia do mundo. Este é o meu último nascimento." Naquele momento caiu uma chuva de néctar doce e seres celestiais apareceram para proclamando o nascimento do menino.Por causa desses acontecimentos, o recém-nascido recebeu o nome de Sarvarthasiddha Gautama (aquele da família Gautama que realiza todas as suas metas), logo simplificado para Siddharta Gautama (páli Siddhatta Gotama, aquele da família Gautama que realiza suas metas). Um eremita chamado Asita foi vê-lo e descobriu vários sinais no pé do menino, confirmando as previsões. Maya faleceu uma semana após o parto e Siddharta passou a ser cuidado por sua tia, Prajapati Gautami. Após vencer um torneio de artes marciais, aos 16 anos, Siddharta casou-se com Yashodhara, filha do rajá Dandapani. Posteriormente, casou-se também com Gopa e Mrigaja, mas foi com Yashodhara que ele teve seu filho, Rahula. Para fazer com que seu filho se entretesse, o rei Shoddhodhana deu três palácios a Siddharta: um para o verão, um para o inverno e outro para a época das monções. |
Mesmo assim, com a idade de 29, Siddharta convenceu o seu pai de que já era o momento de conhecer o mundo; Siddharta nunca tinha saído dos palácios. Shuddhodhana tentou evitar, mas seu filho acabou encontrando um velho, um doente, um morto e um asceta. Revoltado com todo aquele sofrimento, Siddharta discutiu com seu pai e abandonou o palácio.
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"Como ele é amável e bonito!" Siddharta estendeu os braços para abraçar o filho, mas logo recuou para afastar tais pensamentos. Apesar do coração completo de afeição pela esposa e pelo filho, ele não hesitou em deixar a casa para buscar o caminho da prática espiritual. |
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Como símbolo de sua renúncia,
Siddharta cortou seu longos cabelos com uma espada. Algum tempo depois, ele encontrou
Alara Kalama e Udraka Ramaputra, que lhe ensinaram avançadas técnicas de meditação.
Porém, eles não conseguiram responder à pergunta do ex-príncipe: como extinguir o
sofrimento?O ex-príncipe passou a praticar ascetismo na floresta de Uruvela, no reino de Magadha. O próprio Bimbisara, rei de Magadha, foi visitar o jovem Siddharta. "Ó ilustre monge, eu gostaria que alguém como você governasse este país. Se você aceitar, oferecerei criados, cavalos, carruagens, tudo o que você desejar", disse o rei. |
"É muita bondade sua,
majestade, mas eu já abandonei todos os desejos e pretendo continuar no caminho das
práticas ascéticas", respondeu Siddharta.O rei, com lágrimas nos olhos, segurou as mãos de Siddharta respeitosamente e disse: "Estou feliz por tê-lo encontrado. Rezarei para que alcance o caminho em breve". Em seguida, retirou-se. Seis meses haviam passado desde que Siddharta deixara sua casa. Durante esse tempo, ele residira na floresta e se submetera a todas as formas de austeridade, acreditando que quanto mais castigasse sua carne, mais puro se tornaria o seu espírito. Reduzira gradativamente a alimentação até parar completamente de comer. Tentara reter a respiração. Passara sofrimentos contínuos, cada um pior que o anterior.
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Por seis anos, Siddharta foi acompanhado por outros cinco ascetas, ex-discípulos de Udraka Ramaputra. Quando percebeu que o ascetismo não traria os resultados que procurava, Siddharta abandonou este estilo de vida. Subitamente, ele compreendeu que a vida palaciana e a vida ascética são dois extremos; o ideal é seguir um caminho intermediário, o caminho do meio (sânsc.madhyama-pratipad), o caminho do despertar.